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25 de abr de 2010

XII Congresso da Sociedade Argentina de Lingüística - Interacionismo sociodiscursivo, ensino de língua e os gêneros textuais. Por Hiliana e Marígia

Considerando as exigências da sociedade e a necessidade de um modelo de educação pautado no “desenvolvimento humano”, este trabalho se propõe suscitar reflexões teóricas e metodológicas sobre a responsabilidade da escola diante dos desafios propostos pelos estudos acadêmicos e pelos sistemas educacionais na formação de professores de língua portuguesa. Sugere-se, para a discussão, os aportes teóricos guiados pela perspectiva do Interacionismo Sociodiscursivo proposto por Jean Paul Bronckart, a influência de Michael Bakhtin e Lev Vigotsky, assim como as contribuições de Bernard Schneuwly, Joaquim Dolz e Luiz Antônio Marcuschi. Conscientes de que a escola se apresenta como promotora da sistematização do conhecimento que envolve a questão dos gêneros textuais no processo de desenvolvimento dos sujeitos como atores envolvidos em práticas sociais concretas, bem como na formação da consciência prática, crítica e reflexiva dos discentes diante das situações de uso da língua e consequentes coerções sociais, defendemos que é na formação do professor que se forma a consciência de que é possível viabilizar o acesso do aluno ao universo dos textos que circulam socialmente, ensinando-o a produzi-los e a interpretá-los (PCN, 1997 p.30). Assim, acreditamos que se faz necessário que a inserção dos gêneros textuais nas escolas vise a uma articulação com a sua utilização na sociedade, e que não se restrinja o ensinamento de Língua a simples situações de análise lingüística. Para isso, sugerimos que, na formação do docente, haja um aprofundamento do conhecimento teórico em relação às inovações destinadas ao ensino de Língua e, portanto, do trabalho com gêneros textuais. Para isso, é indispensável que se considere a inclusão, nos programas curriculares dos cursos de licenciatura, o trabalho com gêneros, promovendo uma reflexão sobre a adoção de outras formas de pensar o fazer pedagógico no que diz respeito ao ensino de língua, visando à ascensão intelectual e social do aluno. Com isso, se estará oferecendo possibilidade para a criação de programas curriculares articulados às seqüências e simultaneidades coerentes para com o ensino de leitura e escrita na sala de aula através de textos, em consonância com as propostas do interacionismo sociodiscursivo, como proposto pelos teóricos mencionados neste trabalho.



Referências utilizadas


BRONCKART, Jean-Paul. Atividade de linguagem, discurso e desenvolvimento humano. Org. Anna Rachel Machado e Mª de Lourdes Meirelles Matencio; trad. Anna Rachel Machado e Mª de Lourdes Meirelles Matencio [et al]; Campinas, SP: Mercado de Letras, 2006.

CRISTÓVÃO, V. L. & NASCIMENTO, E. L. Gêneros textuais e ensino: contribuições do interacionismo sócio-discursivo. In: KARWOSKI, A. M.; GAYDEKSKA, B.,& SIEBENEICHER-BRITO,K.( Orgs.).Gêneros textuais: reflexões e ensino. 2ª ed. Revista e ampliada.-Rio de Janeiro: Lucerna, 2006.

MEC/SEF (1997) Parâmetros Curriculares Nacionais. Primeiro e segundo ciclos do ensino fundamental - Língua Portuguesa. Secretaria de Educação Fundamental, Brasília.